Como Samir Xaud chegou à presidência da CBF? Entenda a ascensão do dirigente

samir xaud cbf

Quando o nome de Samir Xaud apareceu como novo presidente da CBF, muitos torcedores fizeram a mesma pergunta: quem é ele?

Diferentemente de outros dirigentes que passaram anos sob os holofotes do futebol nacional, Xaud construiu sua carreira longe dos grandes centros esportivos do país. Natural de Roraima, ele comandava a Federação Roraimense de Futebol e era conhecido principalmente nos bastidores da política esportiva regional. Ainda assim, em poucos meses, seu nome passou a ocupar o cargo mais poderoso do futebol brasileiro.

A explicação passa por uma combinação de crise institucional, articulação política e pelo próprio sistema eleitoral da CBF.

A crise que abalou a CBF

O caminho para a eleição de Samir começou com os problemas enfrentados por Ednaldo Rodrigues.

Nos últimos anos, a gestão de Ednaldo foi alvo de disputas judiciais e questionamentos sobre a validade dos acordos que sustentavam sua permanência na presidência da entidade.

Com a instabilidade aumentando, dirigentes de federações estaduais começaram a discutir alternativas para evitar uma disputa prolongada que pudesse gerar ainda mais turbulência no comando do futebol brasileiro.

Foi nesse cenário que Samir Xaud ganhou força.

O peso das federações estaduais

Para entender sua eleição, é preciso compreender como funciona o sistema de votação da CBF. Diferentemente do que muitos imaginam, o presidente da entidade não é escolhido pelos torcedores nem apenas pelos grandes clubes. O colégio eleitoral é composto pelas 27 federações estaduais e pelos clubes das Séries A e B.

O detalhe é que os votos não possuem o mesmo peso. As federações estaduais têm influência decisiva no resultado da eleição. Como elas costumam atuar de forma organizada politicamente, conseguem exercer enorme poder sobre o processo. Foi justamente entre essas federações que Samir construiu sua base de apoio.

Como ele se tornou candidato único

À medida que as negociações avançavam, o dirigente recebeu apoio suficiente para registrar oficialmente sua candidatura. Ao mesmo tempo, grupos que tentavam lançar chapas alternativas encontraram dificuldades para obter as assinaturas exigidas pelo regulamento eleitoral da CBF. Na prática, isso fez com que Samir chegasse à eleição sem adversários.

Quando a votação aconteceu, sua vitória já era considerada certa nos bastidores.

A influência do sobrenome Xaud

Outro fator importante é o peso político de sua família dentro do futebol de Roraima. Samir é filho de Zeca Xaud, um dos dirigentes mais longevos do futebol brasileiro.

Durante décadas, Zeca comandou o futebol roraimense e construiu relações políticas com dirigentes de diversos estados.

cbf zeca xaud

Embora Samir tenha desenvolvido sua própria trajetória, muitos analistas apontam que essa rede de contatos ajudou a ampliar sua influência dentro das federações.

Por que sua eleição gerou debate?

A chegada de Samir ao comando da CBF reacendeu críticas ao modelo eleitoral da entidade. Diversos clubes defendem mudanças que reduzam o peso das federações e ampliem a influência das equipes que disputam as principais competições do país.

Por outro lado, as federações argumentam que o sistema atual impede que o poder fique concentrado apenas nos grandes centros do futebol brasileiro. O resultado é um debate que acompanha praticamente todas as eleições da CBF nas últimas décadas.

samir xaud

Agora, Samir Xaud precisa provar que consegue fazer mais do que articular apoios políticos. Além de administrar a Seleção Brasileira, ele será responsável por questões que vão desde o calendário do futebol nacional até negociações com FIFA, patrocinadores e emissoras de televisão. Se sua eleição aconteceu longe dos holofotes, sua gestão certamente será acompanhada de perto por milhões de torcedores.


Mais sobre a eleição da CBF

O modelo eleitoral da CBF é frequentemente apontado como um dos mais influentes fatores na escolha de seus presidentes. Historicamente, candidatos com forte apoio das federações estaduais costumam largar em vantagem, independentemente de sua projeção nacional. Por isso, não é incomum que dirigentes pouco conhecidos do grande público acabem chegando ao cargo máximo do futebol brasileiro por meio de articulações construídas nos bastidores da entidade.


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