O Crítico| O que achamos de Round 6, novo sucesso da Netflix? [Crítica com SPOILEIS]

O Crítico| O que achamos de Round 6, novo sucesso da Netflix? [Crítica com SPOILEIS]

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POR ADAILTON MORAES

Pois é, finalmente terminei de assistir Round 6, ou Squid Game se preferir, o novo fenômeno da Netflix. A série sul-coreana traz um grupo de pessoas endividadas a um jogo insano e mortal que promete um prêmio milionário. A premissa não chega a ser novidade, já que muitas produções têm explorado colocar pessoas para realizar desafios mortais na busca pela sobrevivência ou por um objetivo em comum, das quais podemos citar Jogos Mortais, 3%, Nerve e outros; mas “Round 6” sabe trazer originalidade e prender a atenção, trazendo alguns personagens cativantes, reviravoltas e apresentando parte da cultura da Coréia do Sul ao mundo.

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PROTAGONISTAS

A série conta com Seong Gi-Hun como protagonista e centro da trama, mas também traz alguns personagens com arcos paralelos e histórias para contar. Temos o Sang-Woo, que vive sob a sombra de uma imagem gloriosa e bem-sucedida de si mesmo; Ali que é um imigrante do Pasquistão que foi à Coréia em busca de uma vida melhor com sua esposa e filhos, mas acabou sendo explorado e se afundando em dividas; Sae-Byeok que saiu da Coréia do Norte e luta para proteger seu irmão e reencontrar a mãe; Joon-Ho, um jovem policial que se infiltra nos jogos para descobrir pistas do paradeiro de seu irmão; e o jogador 001, que tem um câncer terminal e está em busca de diversão em seus últimos dias de vida. Todos os nove episódio de “Squid Game” giram em torno desses personagens, que se mostram cada vez mais cativantes ao decorrer da série. Também vale mencionar a extremamente irritante Mi-nyeo, jogadora 212, e o valentão Deok-su.

OS JOGOS

A série apresenta seis desafios aos personagens, todos inspirados em brincadeiras infantis comuns na cultura sul-coreana. Mas com toda certeza os mais interessantes são o primeiro jogo, traduzido para nós como Batatinha Frita 1,2,3, que traz uma boneca que desafia os competidores a se aproximar dela sem que ela os veja, caso contrário, morrem é claro; e também o Jogo da Lula (que é o nome original da série em tradução livre), que possui regras mais específicas e fecha o arco da primeira temporada. A única prova que sinceramente não gostei foi o penúltimo jogo, que apresentava uma passarela suspensa com vidros falsos e temperados e desafiava os participantes a pularem e torcerem para não cair; a sequência serve para mostrar alguns diálogos interessantes, fechar o arco de Deok-su e Mi-nyeo e revelar a todos algo que já percebemos antes: a frieza de Sang-Woo, mas como brincadeira me parece bem sem graça.

O ARCO DE JOON-HO

Joon-Ho é um dos personagens mais interessantes da série, sendo o único que entra no jogo como infiltrado entre os soldados/funcionários e busca realmente acabar com o esquema e desmascarar os envolvidos. Toda a infiltração dele tem uma certa proteção de roteiro, principalmente quando ele troca de identidade pela primeira vez na balsa a caminho da ilha onde ocorrem os jogos e se livra do corpo sem que ninguém percebe, e também quando ele pega uma máscara do quadrado em uma das arenas, que são repletas de câmeras, mas também não é descoberto. Claro que reclamar de roteiro não é bem do meu feitio, já que roteiros são o que fazem todas as produções e alguns furos são inevitáveis e até necessários. Joon-Ho consegue, por fim, provas para tornar público todas as atrocidades cometidas nas ilhas e o envolvimento de grandes magnatas nos jogos, mas acaba sendo surpreendido pelo motivo que o levou à investigação: o seu irmão, que na verdade era O Líder. Aí acontece um dos plot twist da série, mas não chega a surpreender como deveria. O Líder atira contra Joon-Ho, que cai de um precipício direto no mar, mas esse é o fim dele?

Então, se a série não tiver uma segunda temporada, o que eu acho muito pouco provável vide o sucesso, e o Joon-Ho realmente ter morrido ali é uma tremenda decepção. Mas observando que o Líder atira contra o ombro do irmão e não em um ponto vital (mesmo ficando claro que eles não têm problemas em atirar nas cabeças das pessoas), é bem provável que ele sobreviva e retorne em uma segunda temporada. Sendo assim, é um final de temporada interessante para o personagem.

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BOLINHAS DE GUDE

Esse foi um dos desafios mais simples da série, não possuindo muitas regras pré-estabelecidas e permitindo que os competidores criassem os próprios jogos. É evidente que a ideia é permitir que os personagens explorem suas próprias histórias e se aproximem mais do público durante as conversas. E isso é feito de maneira brilhante principalmente com Sae-byeok e a jogadora 240, que entregam um longo diálogo sobre si mesmas e uma das mortes mais emocionantes da série. Essa mesma brincadeira traz a sequência que nos gera um misto de tristeza e ódio, que é a morte de Abdul Ali, que é enganado pelo traiçoeiro Sang-Woo. E ainda nas Bolinhas de Gude, temos o sofrimento de Gi-hun “enganando” o jogador 001. Como prova, pode não parecer grande coisa, mas como emoção, as Bolinhas de Gude entregam o máximo.

GI-HUN E SANG-WOO FINALISTAS

Gi-hun é claramente levado pelo protagonismo através dos desafios da série, já que ele não é um dos competidores mais fortes ou mais inteligentes e estaria morto já no Batatinha Frita 1,2,3 se não fosse o Ali. Por outro lado, o anti-herói da série (se assim podemos interpretar), Sang-Woo se mostra determinado a vencer os desafios e usa sua inteligência para passar por cada um deles, ajudando os demais quando lhe convinha também. Desde o início, fica claro que Sang-Woo estava ali por si mesmo e que sua lealdade duraria até que o momento em que precisasse dos companheiros, o que vemos ruir no desafio da Bolinha de Gude, onde ele se revela determinado a passar por cima de qualquer um pelo dinheiro. Ele também mata a Sae-byeok após o jantar de gala para se garantir no último jogo. No fim, os amigos de infância chegam ao desafio final, o que é um clichê, mas justo para com os dois. A luta entre eles durante o Jogo da Lula é brutal e, se não fosse o protagonismo, Gi-hun teria morrido com certeza, mas Sang-Woo acaba derrotado. Gi-hun surpreende ao desistir do prêmio e sugerir que eles desistissem do jogo e voltassem para casa, mas Sang-Woo não aceita e acaba se matando para garantir que o amigo ganhasse a fortuna.

Depois disso pouca coisa é realmente interessante, e por um momento achei que Gi-hun ia terminar ainda pior do que no início. Temos também a maior revelação de “Round 6”, a verdadeira identidade do jogador 001. Ele é Oh Il-nam, um magnata à beira da morte que decidiu criar os jogos para se divertir, dá para a acreditar? Pois é, o velhinho fofo e meio maluco é um tremendo vacilão, mas felizmente morreu e espero que não volte mais. Depois dessa revelação bombástica, Gi-hun decide dar um novo rumo para a sua vida, pinta o cabelo de vermelho (vai entender o porquê), ajuda a mãe de Sang-Woo e o irmão de Sae-byeok e corre atrás de recuperar a admiração de sua filha. Acontece que antes de entrar no avião e ir ao encontro da menina, ele descobre que os jogos estavam recomeçando e decide voltar para acabar com tudo de uma vez. O gancho perfeito para uma segunda temporada.

NOTAS FINAIS

Round 6 é uma grata surpresa para o segundo semestre de 2021 e entrega uma série empolgante, apesar de previsível em muitos aspectos. O visual é impecável, principalmente dos jogos e dos mascarados por trás deles. A trama é boa e segue um bom ritmo, sem grandes surpresas, e se destaca pela boa exploração de seus personagens mesmo com poucas sequências destinadas a esse propósito. Sae-byeok deveria ter sobrevivido, mas tudo bem. Gi-hun precisa urgentemente pintar o cabelo de novo kkkk Enfim, a série é boa e satisfatória, mas não deixa muitas pontas soltas (como por exemplo o destino de Joon-Ho, a escalação dos soldados, a identidade dos VIPs, a sequência dos jogos após a morte do Anfitrião), portanto uma segunda temporada não é apenas desejada, mas necessária.

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