O Crítico| “O Esquadrão Suicida” é insano e sangrento, como deve ser [CRITICA COM SPOILERS]

POR ADAILTON MORAES

Hoje tive o prazer de assistir ao novo Esquadrão Suicida, filme que marca a estreia de James Gunn no Universo Estendido da DC e também uma nova era para a equipe de vilões de Amanda Waller, tão criticada após a adaptação de 2016. O que eu achei do filme? Você confere a seguir:

ATENÇÃO! O POST A SEGUIR CONTÉM SPOILERS

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O Esquadrão Suicida chega com a promessa e a dura missão de atrair a atenção do público para a Força Tarefa X depois da abordagem fracassada do diretor David Ayer anos atrás, e de fato ele consegue cumprir tudo o que promete e conquista a atenção de quem assiste. No meu caso, confesso que não estava com o hype muito elevado para o longa, por diversas questões, e talvez seja isso que tornou minha experiência tão agradável. O filme possui uma fotografia impecável e cativante, com efeitos visuais de qualidade e figurinos práticos como devem ser; o enredo é simples e não possui detalhes que te fazem parar e pensar “o que aconteceu aqui?”, na verdade tudo gira em torno da missão dada ao novo Esquadrão Suicida e logo no início já temos um gostinho do banho de sangue e morte que vem a seguir. Como prometido, James Gunn provou que não teve apego algum com as vidas dos personagens que tinha a disposição.

Nos primeiros minutos do filme já mergulhamos no início da missão em Corto Maltese e o que temos é uma verdadeira matança. Diversos personagens morrem sem sequer serem aprofundados, e isso pode dar uma impressão de desperdício ao público, principalmente com relação ao Capitão Bumerangue, que na minha humilde opinião podia ter sido ao menos conservado por mais tempo no filme, mas enfim… A cena inicial também serve para revelar o quão insensível e fria é Amanda Waller (Viola Davis), que na verdade estava unicamente usando a primeira equipe para distrair o exército do governo de Corto Maltese enquanto a segunda equipe (a principal) conseguia chegar à ilha com tranquilidade. E por falar em Amanda Waller, ela é uma das personagens mais bem adaptadas do filme; Viola Davis mostra mais uma vez seu brilhantismo e entrega uma Waller manipuladora e odiosa, como a gente gosta.

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OS VERDADEIROS PROTAGONISTAS

O filme segue com destaque para a equipe formada por Sanguinário, Pacificador, Homem das Bolinhas, Tubarão Rei e Caça-Ratos 2, em paralelo com um arco solo da Arlequina de Margot Robbie, que está simplesmente incrível no filme. Como vocês já devem ter ouvido falar, a Caça-Ratos interpretada por Daniela Melchior é o coração do filme, e na verdade a personagem está longe de ser uma vilã como os companheiros de equipe; ela é fofa, se assim podemos dizer, e cumpre a missão de estabelecer laços entre a equipe de maneira natural e gradual, diferente do que vimos no primeiro “Esquadrão Suicida”. O Tubarão Rei é incrível, funcionando como o alívio cômico do time e também como a força bruta; muitos podem estranhar a adaptação do personagem, que se mostra um bobalhão quase irracional, mas no fim das contas ele também tem um brilho especial. Pacificador e Sanguinário são os esquentadinhos da equipe e entregam uma disputa por liderança interessante, além de grandes cenas de ação. Falando do personagem de Idris Elba, ele é o grande líder do esquadrão e tem muito potencial a ser explorado em quem sabe um novo filme ou uma série. O Homem das Bolinhas (David Dastmalchian) é um dos personagens mais poderosos dessa formação e tem uma adaptação muito melhor do que nas HQs, possuindo poderes melhores explorados e motivação; além de um humor deprimido que nos faz sentir pena e rir.

A Arlequina praticamente protagoniza a primeira metade do filme, ajudada pelo roteiro é claro. A personagem acaba sobrevivendo à carnificina inicial e é capturada pelo exército de Corto Maltese a pedido de Silvio Luna, o vilão que afinal não seria tão relevante como pensamos. Luna acaba por se interessar por Harley, que de fato está visualmente apaixonante no filme, e isso lhe custa muito caro. A Rainha do Crime de Gotham simplesmente mata o personagem após transar com ele e nos entrega a primeira reviravolta de “O Esquadrão Suicida”, afinal ele não seria o grande antagonista do filme como muitos pensavam. A Arlequina está muito mais madura aqui, na medida do possível, e não é sexualizada de forma exagerada, pelo contrário, se mostra mais empoderada e engraçada sem ser forçada. Perfeita.

AH NÃO, O RICK FLAG NÃO!

Joel Kinnaman está de volta como Rick Flag no novo Esquadrão Suicida, mas era uma despedida e eu não estava preparado para isso. O personagem é o grande herói da equipe, sendo ele o único que está na missão suicida por amor ao seu país e não pelas ameaças de Amanda Waller. Flagg está mais cativante nesse filme, mais próximo do público e nos faz querer saber mais sobre ele no futuro. A SEGUIR O MAIOR SPOILER DO POST, CONTINUE POR SUA CONTA E RISCO. Mas não teremos. Flag acaba se voltando contra Waller ao descobrir a verdadeira razão de toda a missão e decidir expor o envolvimento do Governo Americano no Projeto Estrela do Mar; e isso lhe custa bem caro. Ele se envolve em uma luta com o Pacificador (John Cena) e quando achávamos que estava vencendo, acaba morto pelo vilão que se mostra fiel à causa levantada pela personagem de Viola Davis. Por que, James Gunn? Confesso que isso me deixou triste e revoltado, afinal o Flag era o único que não merecia morrer (ou talvez um dos únicos levando em conta a inocência da Caça-Ratos 2). Mas a morte dele tem um propósito claro, encerrar a trajetória do personagem no DCEU de maneira honrosa e estabelecer um ponto emotivo tanto para nós que estamos assistindo quanto para a equipe.

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STARRO, O CONQUISTADOR!

O ato final do filme traz o lendário Starro, o poderoso alienígena que é ninguém menos que o primeiro vilão da Liga da Justiça nos quadrinhos. Visualmente o vilão se mostra meio caricato, com um olho quase fofo e cores infantis, mas isso não é uma crítica negativa. O alienígena não tem uma grande motivação no filme, não estava em busca de conquista a Terra ou algo do tipo para início de conversa, pelo contrário. Starro é na verdade vítima do Governo de Corto Maltese, dos EUA e do Pensador, sendo capturado e usado em experiências bizarras com civis e inimigos políticos durante muitos anos. Quando ele acaba conseguindo se libertar, é evidente que ele quer vingança, e essa é a sua motivação para decidir conquistar o povo de Corto Maltese. No fim, quando derrotado, você vai acabar sentindo pena da Estrela do Mar gigantesca.

AS CENAS PÓS-CRÉDITOS!

Temos duas cenas pós-créditos no filme, ou quase isso. A primeira é na realidade pré-créditos e mostra o Doninha acordando na praia após ter aparentemente morrido no início do filme, o que não acrescenta muita coisa, principalmente porque acho difícil os eventos após essa ressurreição serem explorados, mas quem sabe. O Doninha me pareceu na verdade descartável no filme, e com essa cena ele sequer cumpre o papel de morrer, como os outros vilões escalados para serem mortos já no início do filme; engraçado também não achei, incomodo sim. A outra cena, essa sim após os créditos, tem um propósito claro e cumpre o papel de estabelecer a ponte para Pacificador, série derivada do filme que trará John Cena de volta ao papel do personagem que também não me cativou muito, mas aparentemente tem mais atenção de James Gunn. A série deve trazer o Pacificador trabalhando mais uma vez sob os propósitos obscuros de Amanda Waller, e quem sabe abrir as portas para novos projetos derivados do filme.

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CONCLUSÃO

O Esquadrão Suicida repensa a equipe de uma maneira extraordinária e não estabelece grande ligações com seu antecessor, o que é um escolha acertada tendo em vista os problemas do filme de 2016. James Gunn mostra uma evolução evidente na direção e entrega seu melhor trabalho baseado em quadrinhos, superando sim os Guardiões da Galáxia da Marvel. O filme traz uma banalização da vida dos personagens que pode incomodar muita gente, já que estamos acostumados a ver os protagonistas e heróis sempre vencendo e sobrevivendo, mas isso é justificado pelo próprio nome da equipe, sempre vale ressaltar. Não é um longa cansativo, pelo contrário, é frenético e cheio de cenas de ação de encher os olhos, mas também não é o melhor filme do Universo Estendido da DC, na minha opinião, ainda que esteja no TOP 5 com toda certeza. O filme é dinâmico e envolvente, contando com algumas surpresas pontuais (nada grandioso) e personagens que com certeza merecem voltar às telonas em breve. Destaque para a atuação do elenco central, especialmente para Idris Elba, Margot Robbie, Daniela Melchior, David Dastmalchian e claro Viola Davis.

Mas e você, já assistiu a O Esquadrão Suicida? Se sim, o que achou do filme de James Gunn? Concorda com a nossa crítica? Deixe sua opinião nos comentários.

Autor: Adailton Moraes

23 anos. Apaixonado pela cultura geek. Cristão. Desenhista. Amante da escrita e comunicação visual. @amoraes7

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