Dossiê| Curiosidades sobre o Coringa, o Palhaço do Crime

Dossiê| Curiosidades sobre o Coringa, o Palhaço do Crime

No primeiro Dossiê do blog, vamos aproveitar a comemoração dos 80 anos do Coringa, o principal vilão da rica galeria de antagonistas do Homem Morcego da DC Comics. É praticamente impossível encontrar alguém que não conheça o Coringa, uma vez que ele é considerado por muitos o maior vilão de todos os quadrinhos, fama que inclusive o levou a sair da sombra do Batman e ganhar um filme para chamar de seu. Fique com algumas curiosidades e informações sobre o Palhaço mais famoso da cultura pop:

1. O Nascimento do Palhaço

O Coringa foi criado por  Jerry RobinsonBill Finger e Bob Kane e apareceu pela primeira vez em abril de 1940 em Batman #1, tendo sido inspirado no personagem Gwynplaine vivido pelo ator Conrad Veidt no filme “O Homem que Ri” de 1928. Os direitos autorais do personagem são disputados por Robinson e Kane, ambos reclamando a responsabilidade pelo desenho, mas confirmando a contribuição de Bill Finger na escrita. O mais interessante é que ele foi criado como um personagem passageiro nas histórias do Morcego de Gotham, mais especificamente, dizem que ele deveria ter morrido já na primeira revista na qual apareceu, tendo se livrado do fim prematuro por uma intervenção da editora.

2. A personalidade além da loucura

Quando se ouve falar no Coringa, todo mundo pensa no máximo da loucura, a principal característica do arqui-inimigo do Batman. Inicialmente ele foi retratado como um gênio do crime com tendências psicopatas e humor sádico e doentio, algo próximo da versão que temos como base do personagem atualmente, mas na década de 1950 ele sofreu uma dura regulação do Código dos Quadrinhos que censurou praticamente todo o seu cerne insano, transformando-o simplesmente em mais um ladrão bobo com piadas infantis. O verdadeiro Coringa só veio retornar às raízes durante os anos 70, passando a ser cada vez mais imprevisível, louco e violento a partir de então.

3. Um super-vilão precisa de grandes feitos

É claro que um personagem não nasce grandioso no universo dos quadrinhos e mesmo aqueles que são naturalmente superpoderosos precisam provar seu nível de ameaça com atitudes. Para o Coringa se transformar no maior contra-ponto de um dos maiores super-heróis de todos os tempos não foi diferente, ele precisou agir para isso!

O palhaço de pele esbranquiçada é responsável por uma das mortes mais emblemáticas das histórias em quadrinhos, uma vez que foi praticamente definida pelos leitores, o assassinato de Jason Todd, o segundo Robin, que não agradou o público e teve sua morte decretada por meio de uma votação histórica. Nessa situação, Coringa foi o carrasco que impôs o decreto da maioria dos leitores e protagonizou a clássica cena do assassinato com o pé-de-cabra. Outro feito marcante do vilão foi a paralisia de Barbara Gordon em “A Piada Mortal”, uma das hqs mais emblemáticas quando se trata da mitologia do Batman e do Coringa.

4. A relação com o Morcego de Gotham

Gotham City é uma das cidades mais conhecidas dos amantes dos quadrinhos, sendo conhecida como lar de um número grandioso de vilões e palco de incontáveis crimes, desde os mais comuns como assaltos e prostituições até as grandes máfias e maníacos incontroláveis. É nesse palco clássico das hqs que se estabelece uma das relações mais curiosas entre bem e mal da cultura pop; afinal, por que o Batman não dá um fim definitivo no Coringa ou vice-versa?

Há quem diga que é uma relação de amor e ódio e que um precisa do outro para se manter no personagem, herói e vilão. Seriam eles necessários um na vida do outro? O próprio Coringa chegou a afirmar que ele não seria nada sem o Batman e que no final das contas eles se completam. Diferente da relação do Morcego com os outros vilões de sua galeria, como Mulher-Gato e Pinguim, que buscam evitar o herói ou mesmo exterminá-lo, Coringa parece não ter os mesmos objetivos, pelo contrário. Por várias vezes, o vilão já teve Batman em suas mãos e a chance clara de matá-lo, mas nunca foi além, talvez apenas por uma questão compreensível de roteiro, ou como alguns afirmam, por de fato não querer o herói morto. Outro fato que chama a atenção na relação entre Coringa e Batman é que o palhaço sempre age para chamar a atenção do inimigo, jamais querendo simplesmente cometer um crime por cometer, ele precisa de holofotes e principalmente da atenção do Homem Morcego.

5. Os amores do Palhaço

Atualmente é quase que automático ligar o nome do Coringa ao de sua parceira mais famosa, a Arlequina, mas isso só veio se tornar possível nos anos 1990, quando Paul Dini e Bruce Timm decidiram criar a personagem para a animação Batman: A série animada. Desde então a estranha relação entre os dois foi sendo aprofundada e trabalhada nos quadrinhos e outras mídias até encontrar uma base conhecida. Hoje, a história mais conhecida é a de que os dois se conheceram no Asilo Arkham, Coringa como prisioneiro/paciente e Arlequina como sua psiquiatra. Harleen Frances Quinzel, ao invés de conseguir desvendar a insanidade do Coringa, acaba se corrompendo e se apaixonando por ele, até chegar à loucura que a torna capaz das maiores atrocidades para defender e agradar seu Pudinzinho.

Nos últimos anos, Arlequina sofreu novas mudanças em sua personalidade e valores que a fizeram se emancipar do Palhaço do Crime, tal como vimos no filme Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa. Com Arlequina transitando entre o heroísmo e anti-heroísmo e deixando a simples vilania para trás, recentemente, surgiu uma nova parceira para o Coringa, tão ou mais fatal que a primeira, conhecida como Punchline.

6. INDO ALÉM DAS PÁGINAS DOS QUADRINHOS

Já consolidado nos quadrinhos e com uma legião de fãs, chega o momento do Coringa ir além das páginas e ganhar outras mídias. Em 1966, o Palhaço do Crime ganha uma versão mais contida e bobalhona na série de comédia Batman e Robin sendo interpretado por Cesar Romero. Já em 1989, o personagem assume uma postura mais firme e violenta sob a direção de Tim Burton e a interpretação bem avaliada de Jack Nicholson, uma versão que inclusive possui uma ligação mais profunda com o Batman, uma vez que em Batman Forever (1995) fica estabelecido que esse Coringa foi o assassino dos pais de Bruce Wayne.

É em 2008 que o Coringa ganha sua versão mais aclamada nas telas dos cinemas, em Batman: O Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan. A visão mais dark e sombria do palhaço é oferecida pela atuação incomparável de Heath Ledger, que infelizmente veio a falecer antes mesmo da estreia do filme que chegou a render um Oscar ao ator. Até os dias de hoje, Ledger é lembrado pela atuação como Coringa e essa versão do personagem é uma das mais queridas pelos fãs.

Mas em 2016 uma nova versão do vilão é apresentada no filme Esquadrão Suicida dirigido por David Ayer para o Universo Cinematográfico da DC Comics, uma resposta ao Universo Cinematográfico da Marvel. Porém as coisas não saem como os fãs imaginam e, apesar de uma apresentação até bem aceita do personagem nos trailers do filme e um visual que chega a conquistar uma parcela do público, o produto final decepcionou a maioria e Jared Leto vivendo o Coringa não vingou. Segundo o próprio ator e o diretor David Ayer, a culpa não está na interpretação ou direção, mas sim na tesoura da Warner Bros que cortou praticamente todas as cenas do vilão e o transformou em um mero coadjuvante da Arlequina; os dois chegaram a dizer que foram filmadas cenas o suficiente para fazer um filme solo do Coringa de Jared Leto, algo que jamais saberemos.

Em outubro de 2019 estreia Coringa, um filme solo com uma proposta bem distinta da vista no meio cinematográfico baseado em quadrinhos até então, muito mais focado no lado dramático e humano do vilão, deixando de lado o papo do maluco que simplesmente quer ver o circo pegar fogo sem motivação alguma. Nessa versão brilhantemente interpretada por Joaquim Phoenix e dirigida por Todd Phillips, Coringa tem nome e sobrenome, Arthur Fleck, e é um comediante fracassado das ruas de uma Gotham desigual e injusta, além de não ser um contra-ponto do Batman, que sequer aparece no filme. Vemos então uma construção mais gradual do personagem, chegando a enxergar as razões que fazem Arthur Fleck perder o controle e se transformar no criminoso sádico que amamos, algo que só se concretiza mesmo nos últimos minutos do longa. Apesar de não ser tão fiel aos quadrinhos, essa versão conquistou os fãs e rendeu o Oscar de Melhor Ator a Joaquim Phoenix. Sucesso!

Para terminar, Coringa, em suas mais variadas versões, é um dos personagens mais marcantes da cultura pop, conquistando desde os fãs raízes que acompanham o personagem em seu berço, os quadrinhos, até os mais modernos que o seguem através dos filmes e games. O sucesso é tão grande que a fantasia de Coringa é uma das mais utilizadas nas feiras cosplays espalhadas pelo mundo e até no carnaval! Coringa ocupa posição de destaque na lista de vilões mais famosos do mundo e dificilmente não é lembrado, uma prova concreta que a ideia de 1940 deu mais do que certo e é capaz de sobreviver às mudanças do tempo, culturas e pensamentos sociais. Feliz 80 anos, Coringa!

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