Coringa; conheça a doença por trás da risada do personagem

Já não é nenhuma novidade que o novo filme da DC chegou recheado de polêmicas e aclamações. A nova produção da Warner Bros pode até não fazer parte do “Universo Compartilhado” de filmes da DC Comics, sendo considerada independente, mas reergueu o estúdio depois de um começo não muito amistoso na área das adaptações de quadrinhos. Todos os últimos filmes que carregam o selo da Detetive Comics podem ser considerados sucesso; Aquaman uma inovação visual e sucesso de bilheteria, Shazam! um sucesso segundo a crítica e Coringa aclamado e extremamente lucrativo para os estúdios WB. Para um filme que custou apenas US$55 milhões, a bilheteria que já ultrapassa a casa dos US$600 milhões é, no mínimo, satisfatória.

Coringa nos trás uma versão original do vilão mais famoso das histórias em quadrinhos, desenhada pelo diretor Todd Phillips e muito bem construída e interpretada pelo astro Joaquim Phoenix. O longa nos mostra o desequilibrado Arthur Fleck em meio à cidade de Gotham e suas crueldades e desigualdades sociais, enquanto ele ainda é responsável por prover e cuidar de sua mãe. Arthur nunca foi um cara de sorte, mas sua semana retratada no filme excede os limites de estresse e acaba por despertar seu lado mais sombrio e violento, o qual segundo ele mesmo diz, estava cansado de esconder. Além de tudo, ele ainda sofre de um distúrbio que o faz rir incontrolavelmente em situações de tensão e nervosismo, o que não é aprofundado cientificamente na trama, mas permeia a transição do frágil artista e comediante para o cruel sociopata insano que conhecemos das histórias do Batman. O que muita gente não sabe é que o distúrbio de Arthur é baseado em uma doença real, a chamada “crise de epilepsia gelástica”.

Epilepsia Gelástica

O riso descontrolado e involuntário pode ser consequência de uma série de complicações médicas e, no caso do Coringa, uma crise de epilepsia gelástica, segundo Franciso Javier López, coordenador do grupo de estudo sobre epilepsia da Sociedade Espanhola de Neurologia.

“É um tipo muito raro de convulsão. Estima-se que ela represente 0,2% do total de todos os tipos de convulsões”, diz ele, em entrevista à BBC News Mundo. “A característica marcante é uma risada que aparece de forma inadequada, e o paciente não está feliz, mas está desmotivado”

A causa mais frequente seria um tumor no hipotálamo chamado hamartoma hipotalâmico, mas também pode ser decorrente do crescimento de tumores nos lobos frontal ou temporal. Esse tipo de condição geralmente é controlado com drogas antiepilépticas ou, em alguns casos, com cirurgia. Com tratamento, as crises tendem a diminuir para uma ou duas mensais (em alguns pacientes, podem sumir por completo), porém, caso o paciente fique sem tomar o medicamento, como acontece com Arthur Fleck no filme, as crises podem se tornar diárias e mais intensas. Segundo o doutor López, esse tipo de epilepsia tende a ser mais comum em adultos com mais de 20 anos de idade do que em crianças.

Mas vale esclarecer que apenas as risadas descontroladas do Coringa no filme podem ter relação com essa doença, e a violência apresentada por ele cada vez mais intensamente no decorrer do longa em nada tem relação com a epilepsia gelástica.

Autor: Adailton Moraes

23 anos. Apaixonado pela cultura geek. Cristão. Desenhista. Amante da escrita e comunicação visual. @amoraes7

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